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SINDICATO NACIONAL DOS
PSICÓLOGOS
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COMUNICADO À IMPRENSA
Licenciatura
em Psicologia continua a não ser considerada habilitação
própria para a docência de Psicologia!!
À semelhança do ocorrido no ano
lectivo de 2005, em que os alunos que prestaram provas no
exame nacional de Psicologia no ensino secundário o seu
número ascendeu a quase 50.000 alunos, no presente ano de
2006, o número de alunos internos do 12º ano inscritos só na
1ª fase do exame nacional de Psicologia já ascendeu a 47204,
segundo os dados oficiais, sendo este número só ultrapassado
pelos alunos que prestaram provas nas disciplinas de
Português e Matemática.
Assim
sendo o exame de Psicologia foi o terceiro a nível nacional
com maior número de inscritos, alunos esses que foram
preparados por professores com formação noutras áreas
profissionais, uma vez que os licenciados em Psicologia
continuam a estar interditados de leccionar a disciplina
para a qual têm competência.
Apesar
de o n.º de alunos que escolhem a disciplina de Psicologia
ter aumentado significativamente nos últimos anos, a sua
representatividade a nível nacional (3ª disciplina em alunos
inscritos) não lhes dá o direito a que o seu professor tenha
uma licenciatura em Psicologia.
Para o
próximo ano lectivo este número será significativamente
maior visto que nas diversas escolas secundárias a escolha
da disciplina de Psicologia aumentou em detrimento de outras
como Física ou Química, como foi apontado pela Sociedade
Portuguesa de Química, num artigo do jornal Público na sua
edição de 29 de Julho de 2006.
No ano
lectivo que terminou as escolas privadas, que tinham no seu
quadro de docência licenciados em Psicologia a leccionar
esta disciplina, ou que pretendiam ter, foram obrigados por
despacho do Ministério da Educação, a substituir esses
professores no fim do 1º período por outros docentes com
formação noutra áreas, uma vez que esse Ministério não
reconhece aos Psicólogos habilitação própria para a
docência, implicando que os alunos mudassem de professor a
meio do ano lectivo.
Desta
firma os licenciados em Filosofia, cuja licenciatura
presentemente não contêm no seu curricula qualquer
formação na área da Psicologia, assim como outras
licenciaturas, podem ser estes os docentes da referida
disciplina.
Ao longo
dos anos o Ministério da Educação foi apresentando diversos
pretextos para que a licenciatura em Psicologia não fosse
reconhecida para a docência, nomeadamente: o número de
alunos reduzido, as faculdades não solicitou o seu
reconhecimento, ter muitos professores de outras áreas para
colocar.
O
Sindicato Nacional dos Psicólogos, ao longo dos últimos anos
tem reivindicado este direito junto do Ministério da
Educação dos sucessivos governos, considerando que os alunos
têm por direito serem formados por profissionais habilitados
com competência na área, tendo-nos sido na altura assegurado
a criação do grupo disciplinar de Psicologia o que implicava
a creditação das Universidades. Então este Sindicato
estabeleceu contacto com todas as escolas de Psicologia do
país para que as mesmas entregassem junto do Ministério os
dossiers de creditação para reconhecimento dos seus cursos
como habilitação para a docência.
Foi com
agrado que este Sindicato viu reconhecida a importância
deste aspecto pelas escolas de Psicologia sabendo até á data
que entregaram os dossiers as seguintes faculdades:
-
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da
Universidade de Coimbra
-
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da
Universidade do Porto
-
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da
Universidade de Lisboa
- ISLA -
Instituto Superior de Línguas e Administração de Leiria
- ISLA -
Instituto Superior de Línguas e Administração de Vila Nova
de Gaia
- ISLA -
Instituto Superior de Línguas e Administração de Bragança
- ISPA -
Instituto Superior de Psicologia Aplicada
- ISMAI
- Instituto Superior da Maia
-
Universidade de Évora
- Universidade do Algarve
Perante
as estatísticas apresentadas os argumentos do Ministério da
Educação deixaram de ser válidos pois o número de alunos é
significativo (o n.º de alunos inscritos na 1ª fase em 2006
foi de 47204 alunos, em 2005 – 43836 e 2004 – 43189
respectivamente) e foi também significativo o número de
Universidades e Institutos Superiores que, este ano lectivo,
solicitaram o reconhecimento dos seus cursos como
habilitação para a docência!
Quando
da tomada de posse do actual governo, o Sindicato Nacional
dos Psicólogos, considerou que era necessário retomar as
negociações junto da nova Ministra da Educação, então desde
Maio de 2005 que sucessivamente este sindicato solicita
audiência à actual Ministra, sem que tenha obtido qualquer
resposta até ao momento, o pedido de audiência tem sido
reiterado frequentemente durante estes 15 meses passados.
Apelámos
então junto da Comissão de Ensino e Educação da Assembleia
da República e ao Provedor de Justiça, para que fizessem
diligências junto da Ministra da Educação, para que
recebesse este sindicato, cumprindo assim um direito
constitucional que nos assiste. Estas diligências em nada
resultaram uma vez que continuamos, ao fim de mais de um
ano, sem que nos seja concedida audiência, numa atitude
completamente autista por parte da Ministra da Educação e do
Ministério que tutela, que após a época de exames do ano de
2005, referiu na comunicação social já estar a negociar com
este sindicato o que em nada corresponde à verdade.
Não faz
sentido esperar mais, para que seja encontrada uma
alternativa para esta situação:
- Os
alunos têm direito a um ensino com qualidade!
- As
escolas têm o direito de poder contar com licenciados em
Psicologia para leccionar Psicologia (e não serem impedidas
pelo Ministério de o fazer)!
-
Os
licenciados em Psicologia têm o direito de poder leccionar
esta disciplina!
Quando o
discurso político acerca da educação aponta para o ensino de
qualidade mais caricata se torna esta situação uma vez que o
Ministério do Ensino Superior reconhece licenciaturas que
não são reconhecidas pelo Ministério da Educação como
habilitação própria para a docência.
Queremos
salientar que caricato também è o facto de que a formação
pedagógica de professores
das
diversas licenciaturas via ensino, è ministrada por
Psicólogos do que se conclui que os Psicólogos têm
competência para formar professores e leccionar no ensino
superior, mas não têm competência para leccionar no ensino
secundário.
Lisboa, 3 de Agosto de 2006
A Direcção
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=239102
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